Última rodada de painéis aborda caminhos frente à Recomendação da Unesco

Última rodada de painéis aborda caminhos frente à Recomendação da Unesco

A terceira e última rodada de painéis do 7º Fórum Nacional de Museus, na manhã desta sexta-feira (2), apresentou novas facetas em torno dos desafios e possibilidades colocados aos museus brasileiros frente à Recomendação da Unesco – tema central desta edição do evento.

A integração entre políticas públicas ibero-americanas para o setor museal, o papel socioeconômico dos museus e alternativas para seu financiamento estiveram em pauta.

Cooperação internacional e transformação social

Painéis do 7º FNM tiveram grande frequência

O painel Dez anos do Programa Ibermuseus: museus como ferramentas de transformação social, integração e desenvolvimento trouxe um histórico avaliativo sobre a trajetória da iniciativa, criada a partir da Carta de Salvador (2007).

Houve intensa discussão sobre as estratégias de gestão necessárias, especialmente em cenários de retrocesso político e social, ao cumprimento integral do documento, que serviu de referência para a elaboração da Recomendação da Unesco – aprovada em 2015.

O tema foi debatido em mesa mediada pelo presidente do Ibram, Marcelo Araujo, que contou com a participação do escritor, museólogo e professor Mário Chagas (Ibram/Unirio); do subdiretor geral de museus estatais do Ministério da Educação, Cultura e Esporte da Espanha, Miguel González Suela; e do coordenador do Sistema Nacional de Museus do Uruguai, Javier Royer.

O panorama completou-se com a apresentação da experiência regional do Museu Comunitário Treze de Maio, em Santa Maria (RS), com João Heitor da Silva Macedo, coordenador do Núcleo de Acervos e Exposições.

Financiamento, sustentabilidade e parcerias

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O painel A (r)evolução dos Museus – novas atribuições no 7º FNM

Sobre o tema Cooperações e parcerias: financiamento público e privado, outro painel trouxe fala do diretor-presidente da Levisky Negócios & Cultura (SP), Ricardo Levisky, que ressaltou a importância da sustentabilidade econômica dos museus e apontou como caminho possível a diversificação de receitas.

Marlene Velasco, diretora do Museu Casa de Cora Coralina (GO), explicou como a instituição é financiada a partir de sua bilheteria e parcerias; o terceiro painelista, Sérgio Freitas, do Museu Catavento (SP), completou o debate, que também discutiu as dificuldades da gestão de recursos públicos diante da atual legislação e trouxe apresentação sobre a experiência Roteiro Caminhos de Pedra, que remontam a trajetória da imigração italiana no Rio Grande do Sul, feita por Maristela Pastorello Lerin.

Museus e desenvolvimento local

O painel A (r)evolução dos Museus – novas atribuições, mediado pela diretora de Estratégia Produtiva da Secretaria de Economia da Cultura do MinC, Ana Letícia Fialho, abordou a vocação dos museus para transformar a sociedade, com ênfase no desenvolvimento da economia local. O case do Museu das Ilhas, na Ilha da Pintada, em Porto Alegre (RS), foi apresentado pela diretora Teresinha Carvalho, que salientou o forte trabalho com jovens moradores da ilha que atuam como colaboradores do museu comunitário.

Nove painéis no FNM 2017 trataram de temas de interesse da área de museus

A aproximação com habitantes locais também trouxe resultados positivos ao Museu de Congonhas (MG), que dialoga com o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, considerado obra-prima de Aleijadinho, e as tradições regionais.

O diretor, Sérgio Rodrigues Reis, explicou que o museu impacta o município como um todo e a economia criativa focada na cultura poderá ser uma saída para crise gerada pelo esgotamento do minério, que hoje ainda é a principal fonte de renda municipal.

A geração de renda familiar e a aproximação com as pessoas do entorno, da mesma forma, foi destacada pela gestora do Ponto de Memória da Estrutural (DF), Maria Abadia de Jesus. Um dos exemplos é a criação de uma editora popular que lançou obras de escritores da comunidade produzidas a partir de material reciclado.

Outro caso bem-sucedido de envolvimento social dos moradores como um todo é o Memorial do Homem Kariri, na Chapada do Araripe (CE). O diretor-presidente, Alemberg Quindins, mostrou que, mesmo com custo anual baixo, é possível fazer o dinheiro circular e envolver as famílias nos processos de musealização.

Texto e fotos: Ascom/Ibram