Conferencista da Áustria aborda museu como espaço dedicado ao futuro

Conferencista da Áustria aborda museu como espaço dedicado ao futuro

Museus vivem de futuro? O tema-provocação da conferência que encerrou a programação do terceiro dia do 6º Fórum Nacional de Museus, na noite da quarta-feira (26), propôs uma abordagem do espaço museal para além da convencional.

Ulrike Fallmann durante conferência na noite de ontem (26)

Ulrike Fallmann durante conferência na noite de ontem (26)

Tendo como provocador o diretor e curador do Museu de Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), de Belo Horizonte (MG), a conferencista Ulrike Fallmann, do Quartier21 – Museums Quartier, de Viena (Áustria).

Em uma fala inspiradora, ela apresentou a experiência da organização, que reúne espaços de exposição de arte contemporânea, oferece residências artísticas e dá ênfase na cultura digital e em trabalhos conceituais e de pesquisa.

A interação dos museus com a cidade, seu modelo de sustentabilidade, liberdade de ação e potencial de transformação foram alguns dos pontos que mais chamaram a atenção do público que acompanhou a conferência e participou com questionamentos que puseram em diálogo a experiência do Quartier21 com a realidade brasileira.

Nova visão
Para Fallmann, a experiência dos Pontos de Memória no Brasil, por exemplo, mudou sua definição do que seria um museu. “Na Europa precisamos mudar as estratégias de como trabalhamos, nos abrirmos mais para outras experiências: dinheiro não é sempre a solução de todos os problemas”, ressalta, lembrando contudo que a crise europeia bateu também à porta da Áustria e afetou o cotidiano do país.

Pela primeira vez no Brasil, Ulli, como prefere ser chamada, conheceu a experiência do Ponto de Memória Terra Firme, em Belém, e se impressionou com o trabalho de base desenvolvido com a comunidade. “A expectativa de qual é o papel do museu na sociedade também é diferente entre os nossos países. Os brasileiros gostam de discutir os caminhos de forma coletiva e isso é um diferencial”, exalta.