Conferência com Hugues de Varine encerra debates teóricos do 5º FNM

Conferência com Hugues de Varine encerra debates teóricos do 5º FNM

“O Brasil foi uma de minhas escolas museológicas”. A fala, em tom quase confessional e bom português, foi proferida pelo arqueólogo e ensaísta francês Hugues de Varine, uma das principais referências teóricas da atualidade no campo da Museologia, durante a última conferência do 5º Fórum Nacional de Museus, na manhã desta sexta-feira (23).

“Este é provavelmente um dos países mais criadores e inovadores de métodos, ideias e mesmo ideologias de utilização e exploração dos museus, do patrimônio e da memória”, prosseguiu o escritor, que esteve em território brasileiro pela primeira vez em 1966. “O Brasil é hoje um país referência da chamada Nova Museologia”, completou.

Após ser homenageado pelos 40 anos da Mesa de Santiago do Chile, da qual foi um dos participantes, o teórico francês fez em sua fala um panorama dos precedentes, histórico e legado do encontro de 1972, tema central do 5º FNM.

Varine lembrou que a da Mesa de Santiago e suas consequentes inovações no campo museológico foram um dos capítulos daquilo que chamou de “anos de libertação”, marcados pelos levantes estudantis de 1968, pela independência de colônias africanas e pela luta em favor dos direitos civis.

O escritor destacou como heranças da reunião a relação do museu com o território, a concepção integrada de patrimônio, a participação e responsabilidade partilhadas, a inovação contínua e o surgimento de novas profissões (mediador, facilitador, coordenador) no âmbito da gestão museal, assim como de novas parcerias. Mais do que tudo, afirmou que o encontro colocou a função social dos museus como objetivo primordial para o setor.

Ao lembrar que a inovação trazida pela Mesa de Santiago só pôde surgir após o que chamou de uma “revolução interna” dentro do Conselho Internacional de Museus (ICOM) e da subversão do conceito de mesas redondas regionais organizadas pela Unesco, Varine avaliou que a capacidade de reinvenção contínua, sintonizada com a transformação social, é o grande legado  de 1972.

“O museu muda no momento em que a sociedade muda. Não só nas atividades que realiza, mas no seu próprio modelo de organização”, disse no encerramento de sua fala.